Entenda o Mercado de Renda Fixa

Entenda o Mercado de Renda Fixa

No mercado financeiro, podemos dividir classes de ativos entre renda variável (compra de parte de um negócio) e renda fixa (empréstimo de recursos para um emissor). Muitas vezes, a impressão inicial de investidores é que renda fixa é um mercado previsível e simples, porém a verdade é que é um mercado muito dinâmico e desafiador. Neste artigo, iremos abordar de forma sucinta os principais aspectos que o investidor deve considerar quando fizer um investimento.

Remuneração

O primeiro ponto é analisarmos como nosso empréstimo é remunerado. Podemos classificar a taxa de rentabilidade em três categorias:

Pós fixada: quando a taxa é atrelada a algum índice (normalmente ao CDI, que representa a taxa básica de juros). Por exemplo, em um cenário em que o CDI é 7% ao ano, um ativo que paga 95% do CDI remunera, ao ano, 6,65% (95% de 7%).

Pré-fixada: quando a taxa é definida no momento do investimento. Por exemplo, um ativo que paga 10% ao ano.

Híbrido: quando a taxa é uma mistura das duas alternativas anteriores. Por exemplo, um ativo que remunera IPCA + 3% (um índice que representa inflação mais uma parcela fixa).

O ponto principal a entender destas três formas é que, quando você assume uma posição prefixada (seja hibrida ou total), você acredita que o prêmio que está precificado é justo e/ou que a taxa básica de juros (CDI) vai cair. Não iremos aprofundar muito neste artigo, mas existem diversas estratégias de como se beneficiar das movimentações de taxas de juros (duration, convexidade, dentre outros), conceitos os quais abordaremos em nosso curso gratuito.

Tipo de ativos

O universo de ativos de renda fixa é grande. Vamos abordar as classes mais importantes de forma sucinta:

  • Caderneta de poupança: talvez o ativo mais popular de todos, possui baixa rentabilidade, mas é isento de imposto de renda, tornando adequado para capital de giro (pode-se entender como o recurso que está na sua conta corrente).
  • CDB: é um título de renda fixa emitido por bancos para captar dinheiro e financiar suas atividades. Em troca deste empréstimo de recursos ao banco, ele irá devolver ao investidor a quantia aplicada mais o juro acordado no momento do investimento. Tabela regressiva de imposto aplica-se aqui.
  • LCI/CRI: títulos com lastro em financiamentos imobiliários (alguns garantidos pelo imóvel financiado), isento de imposto de renda;
  • LCA/CRA: títulos vinculados direitos creditórios originários do agronegócio, isento de imposto de renda.
  • Debentures: representam dívidas de empresas. Debentures incentivadas são isentas de imposto de renda.
  • Tesouro Direto: programa que permite realizar a negociação de títulos públicos

Imposto de renda

A tabela de impostos de renda regressiva aplica-se conforme o prazo do investimento feito:

22,5% para aplicações com prazo de 180 dias;

20,0% para aplicações com prazo de 181 até 360 dias;

17,5% para aplicações com prazo de 361 até 720 dias;

15,0% para aplicações com prazo superior a 721 dias.

Normalmente, para ativos os quais incidem imposto de renda, é vantajoso operar com prazo mínimo de 2 anos (menor imposto).

Lembrando que, ativos isentos de imposto de renda possuem sua taxa ajustadas para representar o retorno depois de o imposto pago.

Por exemplo: um CDB com vencimento para 2 anos que paga 110% do CDI equivale (grosso modo) a uma LCI que paga 94% ao ano. Esta diferença se dá pelo imposto de renda. Para aprender a fazer este cálculo para qualquer ativo, verifique nosso curso gratuito.

Riscos envolvidos

Ao analisar os ativos, três fontes de riscos devem ser consideradas:

Risco de mercado: ligado a oscilação de preços/taxas. Por exemplo, você se posicionou em um ativo prefixado a 10% a.a. e a taxa básica de juros foi para 15% a.a., você possivelmente teria ganho mais posicionado em um ativo pós fixados.

Liquidez: trata-se da velocidade e conversão sem perdas de um ativo para dinheiro. Importantíssimo em caso de liquidações antecipadas (exemplo: possuo um ativo com vencimento em 3 anos e preciso do dinheiro hoje).

Risco de crédito: talvez o mais importante quando analisamos ativos de renda fixa. Este é o risco de o tomador dos nossos recursos não nos pague de volta. Normalmente, quanto maior o risco de crédito, maior a taxa do empréstimo. Por este motivo, ativos emitidos pelo governo e grandes instituições privadas tendem a ter taxas menores (por seu menor risco de crédito).

Contudo, é importante considerar um mecanismo que existe no mercado brasileiro chamado Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Trata-se de um fundo sem fins lucrativos com objetivo de administrar mecanismos de proteção a titulares de créditos contra instituições financeiras. Em outras palavras, se você possui um ativo de renda fixa coberto pelo FGC e o emissor deste ativo não honra com os pagamentos, o FGC irá honrar este pagamento.

Existem duas regras para esta cobertura:

  • Até R$ 250 mil por CPF em cada emissor. Ou seja, se você possui R$ 500 mil investido em uma instituição que não honrou com os pagamentos, apenas R$ 250 mil estão protegidos.
  • Limite de até R$ 1 milhão. Ou seja, se você possui 3 milhões de reais investidos em 12 instituições (R$ 250 mil em cada uma), apenas R$ 1 milhão de seu portfolio está protegido.

O ponto interessante é a possibilidade de você montar uma carteira com um altas taxas de retorno (maior risco de crédito), porém mitigado pela cobertura do FGC. Vale lembrar que em caso de inadimplência do tomador, existe um custo de oportunidade até você receber seu recurso de volta (leia aqui alguns estudos de caso https://www.fgc.org.br/garantia-fgc/pagamento-de-garantia)

Seguem os ativos cobertos pelo FGC:

Investimento individual ou através de fundos de investimento

Você pode investir diretamente nos ativos que apresentamos aqui ou comprar cotas de fundos que investem nestes ativos para você.

Pontos positivos de investir individualmente:

  • Sem taxas de administração ou performance
  • Melhor transparência para gestão de cobertura do FGC
  • Maior autonomia para seleção de ativos

Pontos positivos de investir através de fundos:

  • Normalmente maior liquidez (verifique o prazo de saída)
  • Possibilidade de atingir alta diversificação com patrimônio pequeno (reduzindo o risco não sistêmico)
  • Alcance em fundos fechados (no caso de fundos de fundos)

Conclusão:

Estas informações garantem uma visão inicial sobre os principais aspecto do mercado de renda fixa. Todo investidor deveria conhecer este mercado primeiro dado que é nele que montamos nossa reserva de emergência (confira nosso artigo sobre Liberdade Financeira). Além disso, é sempre importante analisar os ativos em uma visão de portfólio, que é diferente da soma das características individuais dos ativos. Deixe seu comentário com dúvidas e sugestões e confira nosso curso gratuito para uma visão mais detalhada.

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